Bolívar Lamounier: “O quadro para as eleições é pior que 1989, é de uma patética mediocridade”

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Cientista político, Bolívar Lamounier acredita que o cenário eleitoral de 2018, será de uma intensa fragmentação política e pode se refletir num governo fraco (Foto: João Brito Jr./Folhapress)
Cientista político, Bolívar Lamounier acredita que o cenário eleitoral de 2018, será de uma intensa fragmentação política e pode se refletir num governo fraco (Foto: João Brito Jr./Folhapress)

Por Talita Bendinelli (El País) – O cientista político Bolívar Lamounier, um dos intelectuais mais importantes do Brasil, ligado ao PSDB,  acredita que as forças políticas brasileiras estão desnorteadas e que as eleições de 2018 devem trazer um cenário de fragmentação política pior do que o visto em 1989. “Em comparação, o quadro atual é de uma patética mediocridade”, ressalta ele.

Autor de livros como a Classe Média Brasileira: ambições, valores e projetos de sociedades (Ed.Campus, 2009) e Os Partidos e as Eleições no Brasil (Editora Paz e Terra,1975), que escreveu ao lado de Fernando Henrique Cardoso, ele apontou em uma entrevista por e-mail qual sua visão para o cenário eleitoral neste ano e afirma que os riscos da fragmentação política vão além das eleições: podem se refletir em um Governo fraco e pouco representativo.

Em artigo recente o senhor afirmou que a democracia brasileira precisa pegar no tranco. O que precisa mudar para isso acontecer?

Pegar no tranco é uma expressão coloquial brasileira que significa pegar rápida e vigorosamente. Com isso eu quis dizer que nosso sistema político e nossa democracia são demasiado frágeis se comparados aos desafios que o Brasil previsivelmente terá de enfrentar nas próximas duas décadas. O momento conjuntural que estamos vivendo ilustra muito bem esta afirmação. Estamos tendo grande dificuldade para aprovar no Congresso uma tímida reforma da Previdência, questão que em breve terá de ser retomada, provavelmente já no próximo mandato presidencial. Não conseguimos fechar o Orçamento de 2018, vamos carregar um déficit de 180 bilhões de reais. Nosso sistema educacional é uma catástrofe. Nosso déficit em saneamento é uma vergonha, metade dos domicílios não está conectado à rede pública. Nossa renda anual por habitante não alcança a metade da renda de Portugal e Grécia, países pobres no contexto europeu. Para atingir o nível deles, com uma distribuição muito pior, vamos levar uma geração inteira. Ou seja, há um círculo vicioso entre pobreza e debilidade política. Para quebrar esse círculo e robustecer a capacidade decisória do país, teremos de fazer uma reforma política enérgica e abrangente. (Entrevista completa em https://brasil.elpais.com/brasil/2017/12/21/politica/1513868298_091311.html)

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