Políticos estão sempre no futuro e só retornam ao presente em ano eleitoral

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O talentoso chargista Jorge Braga, de O Popular captou os dois momentos do eleitor: a caça ao voto e a insistência do candidato na campanha eleitoral. Passada a disputa das urnas, eleito ou não some dos cidadãos
O talentoso chargista Jorge Braga, de O Popular captou os dois momentos do eleitor: a caça ao voto e a insistência do candidato na campanha eleitoral. Passada a disputa das urnas, eleito ou não some dos cidadãos

Por Wilson Silvestre – Enquanto a maioria dos brasileiros ainda está meio sonolenta buscando ajustar a agenda de promessas feitas na passagem de ano à realidade, os políticos já estão organizando a festa de janeiro de 2019. É da natureza de quem vive da política estar num tempo diferente do calendário gregoriano. Para os mortais comuns, os 365 dias do ano são consumidos lentamente enquanto para quem é vereador, prefeito, deputado estadual federal, senador, governador e presidente, corre como um carro de Fórmula 1.

Político só tem tempo para o cidadão em período eleitoral, assim mesmo de passagem, como um beija flor rápido o suficiente apenas para pedir o voto. Eleito, durante os quatro anos de mandato, mesmo em visita “as bases”, a conversa se restringe às lideranças local ou quando muito, em alguma festa popular. O restante do tempo é consumido recebendo em seu gabinete, os donos do voto “nas bases”. O povo? Um mero detalhe.

A partir de agora até abril, quando encerra o período em que a legislação permite a troca de legenda, começa a revoada de caçadores de eleitor. Muitos já são velhos conhecidos, mas haverá um grande número de novos pretendentes a “representar o cidadão” no legislativo estadual e no Congresso. Os recentes escândalos que abalaram o país, despertou na população, o desejo de mudar os políticos e renovar a política. Com isso, muitos novatos vão entrar na corrida pelo voto tendo como bandeira, “renovação”.

Mas, em muitos casos, o eleitor vai ouvir os discursos de sempre: “Precisamos acabar com as disparidades sociais, renovar os políticos e blá, blá, blá. Eleitos ou não, somem na névoa do poder. A maioria vai correr do cidadão como o diabo da cruz e os que se dispuserem a atender, dirão que “os tempos são de sacrifícios e mudanças no país”. Portanto, só nas próximas eleições para prefeito em 2020 vão dar as caras novamente.

Os eleitos que tomam posse em janeiro de 2019, mal chegam em seus respectivos postos de trabalho, começam a tramar o futuro, dando um salto de 3 anos à frente. Articulam, primeiro quem vão apoiar para prefeito ou vereador, traçando a estratégia para a grande disputa eleitoral novamente daqui a 4,5 anos e meio mais ou menos. Enquanto a patuleia segue o ritmo da sobrevivência bovinamente, consumindo dia a dia o calendário gregoriano, os “representantes do povo” já estão no mínimo dois anos à frente. Os brasileiros vivem sonhando em cada eleição, que agora vão surgir políticos sérios.

Por mais bem intencionados que sejam, ao chegar no parlamento, percebem que o jogo do poder é sedutor e vantajoso, portanto, o povo novamente é só um detalhe. Mesmo assim o cidadão por mais ignorante que seja, sabe que a política é vital no desenvolvimento da comunidade, estado e o país, mas no Brasil… ainda é um sonho.

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