Com vitória de Alcolumbre no Senado, DEM assume protagonismo no Congresso

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Aos 41 anos, Alcolumbre, com a mulher, é um dos mais jovens senadores (foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Ag Brasil)
Aos 41 anos, Alcolumbre, com a mulher, é um dos mais jovens senadores
(foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Ag Brasil)
Por Renato Souza e Rodolfo Costa( Correio Braziliense) – A vitória do senador Davi Alcolumbre (DEM-AP) foi a cereja do bolo para sacramentar o renascimento do Democratas (DEM). Depois de assumir a oposição nos governos petistas e disputar espaço e prestígio com os tucanos no Congresso, a legenda deixa um passado recente relegado ao segundo plano para assumir o protagonismo na política nacional. Afinal, além da Presidência do Senado, o partido conta com o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) na Presidência da Câmara e o comando de três ministérios: Casa Civil, de Onyx Lorenzoni; Agricultura, de Tereza Cristina; e Saúde, de Luiz Henrique Mandetta.
O partido também avançou nos estados. Nas eleições de 2018, emplacou dois governadores: Ronaldo Caiado, em Goiás; e Mauro Mendes, em Mato Grosso. No pleito de 2014, não havia elegido nenhum. No entanto, nem tudo são flores. O DEM recuou em tamanho na Câmara, de 43 deputados para 29 eleitos. Ainda assim, o balanço é positivo, avalia o presidente nacional da legenda, ACM Neto. “As vitórias de Davi e Rodrigo para as presidências do Senado e da Câmara representam o fortalecimento do Democratas. O nosso compromisso é com o país. A nossa agenda é ajudar o Brasil a crescer e a superar a crise que afeta milhões de pessoas”, destacou.
Não é para menos o entusiasmo do mandatário. O partido retoma um protagonismo que não se via desde as gestões do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Entre 1995 e 2003, sob outro nome, o PFL, o Democratas ocupou a vice-presidência da República, com Marco Maciel. Entre 1993 e o fim do governo tucano, ocupou a Presidência da Câmara em três mandatos e a Presidência do Senado, em dois mandatos consecutivos. Voltou a ter papel de destaque somente com a primeira eleição de Maia, em 2017.
A mudança de PFL para DEM veio em 2007. O sucesso da primeira gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez o Democratas perder muitos votos nas eleições de 2006, principalmente no Nordeste. Muita gente saiu do partido e a legenda começou a se enfraquecer, lembra o historiador e cientista político Alessandro Farage. O golpe mais duro ocorreu nas eleições de 2014, quando o PSDB — o principal aliado — concorreu com uma chapa pura, formada por Aécio Neves e Aloysio Nunes. “Ali, o DEM correu o risco de virar um partido pequeno e sem expressão substancial nas disputas nacionais”, avaliou.

Conquista do governo

O resultado das eleições na Câmara e no Senado não representam uma vitória apenas para o DEM. A escolha de Davi Alcolumbre (DEM-AP) para a Presidência do Senado e de Rodrigo Maia (DEM-RJ), para a da Câmara, também é uma conquista do governo. Ambos os candidatos eram os favoritos da cúpula do Palácio do Planalto, considerados alinhados com a agenda econômica. Entretanto, isso não significará vida fácil para a governabilidade do presidente Jair Bolsonaro, que cumprimentou ontem os dois, por nota. “Consolida nossa tradição democrática”, disse.
Apesar de ter aliados no comando das duas Casas do Congresso, o governo precisará reforçar o diálogo com o Parlamento. Contar com o apoio de Maia e Alcolumbre será fundamental para criar um trânsito com o Legislativo e colocar pautas de interesse do Executivo em votação. Mas isso não significa sucesso nas votações, adverte o cientista político Cristiano Noronha, vice-presidente da consultoria Arko Advice.
A articulação política requer atenção redobrada, sobretudo no Senado. “Na Câmara, houve uma negociação e o candidato apoiado pelo governo foi eleito. No Senado, o processo deixou sequelas, especialmente no MDB. Isso revela que o senador Renan Calheiros tem peso muito forte na bancada. Ele pode ocupar a presidência de alguma comissão relevante e isso será um complicador. Será importante o governo intensificar as conversas com o Congresso”, avaliou.
O ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM), costurou nos bastidores apoio para Alcolumbre. A movimentação desagradou Renan, que pode criar um movimento de oposição às pautas governistas. A participação ativa do governo na eleição no Senado pode, assim, ser um problema. “Não se ganha eleição tumultuada, como aconteceu, sem uma reação. E isso pode, em vez de favorecer o governo, desfavorecer”, analisou um senador aliado.
Estreitar os laços com o próprio DEM será um caminho que o governo não poderá evitar. A fim de obter governabilidade, enfrentar a oposição e aprovar projetos no Congresso, a articulação política de Bolsonaro deverá manter um bom diálogo com o partido e outros do centrão, ressaltou Noronha. “O bom relacionamento com o DEM se torna fundamental para o processo de aprovação das reformas. Vai definir o ritmo das votações dos projetos de interesse do governo.”
A aproximação com os presidentes das comissões nas duas casas e com os líderes partidários deverá ser a máxima adotada pela interlocução política de Bolsonaro, alertou o especialista em política eleitoral David Fleischer, professor da Universidade de Brasília (UnB). A ascensão do DEM na Esplanada é uma situação que Bolsonaro, eventualmente, terá que contornar. Fleischer não descarta a possibilidade de ciúmes de aliados interferirem no diálogo entre os dois poderes. “É algo que tem que ser trabalhado e resolvido. Por isso, a distribuição de comissões terá que ser bem feita para ajudar a debelar um pouco a inveja”, analisou.
https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/politica/2019/02/03/interna_politica,735081/com-vitoria-de-alcolumbre-no-senado-dem-assume-protagonismo-no-congre.shtml

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