‘Velhos moços da política’ tem feito do voto popular moeda de troca para interesses pessoais

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Reprodução: BBC News | Brasil (https://www.bbc.com/portuguese/geral-36432838)
Reprodução: BBC News | Brasil (https://www.bbc.com/portuguese/geral-36432838)

Por Wilson Silvestre – A cada eleição percebe-se que o poder público está cada vez mais distante dos cidadãos e próximo dos poderosos de plantão. Os eleitos pela patuleia do andar inferior, assim que assumem seus postos e provam do convescote da elite que manda, muda totalmente o discurso. Passam os anos de mandato que antecedem a próxima eleição sem tempo para ouvirem as pessoas comuns, principalmente os o eleitores. Quando dão o ar da graça em inaugurações ou solenidades, fazem discursos demagógicos, populistas, vazios e desaparecem.

Pessoas comuns dificilmente conseguem serem ouvidas por deputado estadual, federal, senador e governador. O máximo de proximidade é uma audiência com assessores, normalmente, ‘filtros’ às demandas levadas às suas Excelências. O contato em aparições públicas então, nem pensar. Estão sempre cercados de seguranças brutamontes, assessores ou ‘lideranças’ políticas ‘proprietárias’ de votos.

Este tem sido o ‘modelo’ do figurino político que os eleitos seguem à risca desde a redemocratização do País. Não importa se o cidadão foi eleito com bandeira de esquerda, direita, centro e outra denominação ideológica. A regra sempre é a mesma: o povo é um mero detalhe. Menos os adeptos da velha política transvestidos de moços inovadores. Eles continuam sendo reeleitos prometendo mudanças e moralidade pública.

Aquele lindo conceito que fundamenta o equilíbrio entre poderes nas democracias, estabelecendo o ‘quadrado’ sobre quem governa não faz leis e quem julga não pode governar, virou uma bagunça no Brasil. O contrapeso legitimamente delegado pelos eleitores aos seus representantes nos legislativos municipal, estadual ou federal, aos poucos perde sua importância no balizamento da sociedade. Não existe mais o protagonismo de um poder limitando a força do outro. É cada um defendendo seus interesses corporativo ou individual.

Espero que esta pandemia provocada pela Covid 19 que forçou o isolamento social de pobres, classe média e ricos ajude na reflexão sobre nossos representantes no Executivo, Legislativo e Judiciário, quer federal, estadual e municipal. Ao escolher o vereador que vai legislar sobre sua cidade, tenha em mente o compromisso assumido com você ou será cooptado logo no primeiro dia pelo prefeito.

Este é o momento de observação aguda sobre os ‘velhos moços’ da política. Eles fazem de seu voto mercadorias a serem trocadas pelos interesses pessoais. Coloque uma lupa naqueles que batem à sua porta pedido mais quatros anos no poder que, eleitos, rapidamente ampliaram o patrimônio o apenas mandato como fonte de renda. Analise se eles transformaram a ‘virtuosa moralidade política’ do discurso de campanha em negócio para ‘se dar bem’.

Com raras exceções, parecem gênios que transformam em um mandato o estilo de vida simples numa meteórica ascensão social. Como disse o ex-presidente presidiário, Inácio Lula da Silva quando questionado sobre a fortuna acumulada pelo filho em menos de três anos: “Não tenho culpa se meu filho é o Ronaldinho dos negócios”. Pense e conte depois ao blog.

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