Campanha eleitoral sem povo favorece a ‘velha política’, mas juntos podemos mudar o jogo

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Por Wilson Silvestre – Com poucas exceções, desconfio que os pré-candidatos a prefeito e vereador nos 5.570 municípios brasileiros não estão interessados – caso seja eleitos –, propor alterações no modus operandi da ‘velha política’ patrimonialista. Os grupos sedentos para serem abrigados sob o guarda-chuva do poder público, travam uma luta pelo voto do cidadão propondo o paraíso quando forem eleitos. Mas, no íntimo, querem mesmo é atacar a ‘bolsa da viúva’, seja prefeitura ou Câmara de Vereadores. Está é a conta que a população tem paga aos mandatários da vez desde o descobrimento do Brasil.

Sempre leva vantagem quem articula o grupo mais poderoso, seja no executivo ou legislativo. Do outro lado deste cabo de guerra, estão os ‘aliados’ propondo decretos e leis com o único objetivo em se dar bem com o dinheiro do contribuinte. Mesmo sem povo no debate político ou em reuniões presenciais, todos que almejam o poder procuram por meio de plataformas digitais, vender sonhos para ter facilidades. Existem exceções, raras, mas tem e são lideradas pelos chamados ‘cristãos novos’ na política.

Os aboletados no poder, seja no executivo ou legislativo fazem mais alaridos trombeteando nos ouvidos do cidadãos por meio de ‘lives’ e plataformas digitais, que merecem mais quatro anos no posto. Por sua vez, os postulantes a desbancá-los, derramam uma avalanche de críticas visando unicamente ‘desconstruir’ quem está no caminho. A partir de 31 deste mês até 16 de setembro, a população será bombardeada por todos eles tendo como foco, mostrar força política e conquistar os concorrentes anêmicos de votos.

Quem estiver buscando reeleição, principalmente a prefeito, coitado, vai ser execrado pelos adversários. Todas as suas ações em prol da população serão ignoradas pois o único objetivo é a desconstruir quem “está no poder há quase quatro anos e não fez nada”. No entanto, as narrativas de promessas dos adversários vendendo um paraíso – caso eleito –, são desprovidas de um gesto ou frase sinalizando aos cidadãos que vão mudar a cultura política do “primeiro o meu depois, o povo”.

Tudo é uma maravilha e em poucos meses farão uma revolução desenvolvimentista repetindo sempre que “recursos tem, basta ter bons projetos e planejamento”. Este é o mantra que faz parte de todas as siglas partidárias que buscam o poder. Por sua vez, os ‘novatos’ que pela primeira vez pedem votos aos cidadãos, são praticamente ignorados pela população, viciada no clientelismo dos veteranos políticos, mestres na arte do “toma lá, dê cá”. Esta cultura não é exclusividade de Goiás, mas em todo o país, salvo raríssimas exceções.

Diante deste quadro de eleição virtual, ausente de povo, realizada basicamente por meio de plataformas digitais, será um teste sobre o futuro das campanhas majoritárias. Também uma oportunidade para que a população em seus refúgios preferidos, avaliem as propostas dos pré-candidatos a prefeito e vereador de suas cidades. Uma chance para saber se realmente nossos representantes nos municípios estão capacitados para a tarefa. Nunca é demais reforçar que o País está sendo confrontado com vários desafios, dentre eles o receio em ser infectado pela Covid 19 e a falta de renda para sobreviver materialmente.

Estes obstáculos necessitam de homens públicos comprometidos com os interesses da população e não de grupos. Líderes que percebam que estamos em momento de virada na história: crescer ou sucumbir à sanha de predadores ideológicos e oportunistas de plantão. Creio que nestes mais de sete meses de adversidades, vidas perdidas, governos oportunistas e ausência de estadista vamos eleger lideranças que pensa no povo e não na próxima eleição.

Somos vulneráveis e não controlamos tudo, mas insisto: juntos podemos combater a instabilidade econômica, a falta de emprego e varrer da vida pública os corruptos em todos os níveis de poderes. Não importa se estão quase inimputáveis e intocáveis no Judiciário, Legislativo ou no Executivo, afinal somos a base de tudo que sustenta este poderes.

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