Ao vitorioso nas urnas, as batatas quentes! Ou: “É fácil ser pedra, difícil é ser vidraça”

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VIDRAÇA E PEDRAS NO JOGO DEMOCRÁTICO – A livre manifestação do pensamento crítico assegurado pela Constituição de 1988, parágrafo 5º, concede à oposição política, o direito em descer a borduna em quem está aboletado no poder, seja ele vereador, prefeito, deputados estaduais, federais, senadores, governadores e o presidente da República. 

É pensamento recorrente no meio político que é melhor “ser oposição pois não precisa provar nada”. O eleito que se vire para encontrar uma boa resposta para as críticas de oposição, seja ele vereador, prefeito, deputado estadual, federal, senador, governador ou presidente da República.

A oposição existe é para criticar. Mesmo não sendo verdadeiras, recomenda-se respondê-las sob pena de perder apoio da opinião pública ou cravar (palavra da moda) a imagem de omisso diante do poder da hora. Passada as escaramuças da disputa eleitoral é hora de analisar os erros e absorver a derrota. Quem era oposição passa à condição de vidraça, numa inversão de papéis.

Muitos dos prefeitos eleitos conseguiram sensibilizar o cidadão com propostas inovadoras enquanto os reeleitos, buscaram dar continuidade aos projetos já iniciados, notadamente os que visam melhorar a vida dos cidadãos e de seus municípios. Esta vitória pode ser creditada a boa e velha técnica de descer a borduna nos adversários, principalmente quem buscava a reeleição, os mais criticados.

Terminada a refrega onde entre ‘mortos’ e ‘feridos’ salvara-se todos, é chegada a hora de encarar os ‘leões travestidos de problemas’. Considerando que não haverá socorro dos governos federal e estadual, pandemia do coronavírus batendo à porta e a grande mídia pregando o caos, prefeitos e vereadores terão muito trabalho.

Soma-se a estes entraves, queda da atividade econômica no país que já contabiliza quase 14 milhões de desempregados, queda na arrecadação e demandas sociais a perder de vista, os eleitos terão que se virar nos 30. Esta tragédia econômica não é de agora pois teve seu início em 2015, provocando uma reação em cadeia na arrecadação de tributos nos municípios, alcançando os estados em 2016 — Goiás incluso —, e deve seguir, no mínimo até 2022 conforme previsão de analistas econômicos.

Isto significa que não está descartada cortes em pessoal e investimentos em obras de infraestrutura, moradia e saneamento básico. E ai que entra o papel da oposição: questionar cortes nos investimentos, principalmente nos estratos sociais mais vulneráveis. Com papéis invertidos, o mandatário da vez e seu grupo não terão refresco, quer pelos vereadores de oposição, quer pelos cidadãos simpatizantes da gestão que deixou a prefeitura.

A livre manifestação do pensamento crítico assegurado pela Constituição de 1988, parágrafo 5º, inciso IV diz que “é livre a manifestação de pensamento, sendo vedado o anonimato”, portanto, um prato feito para a oposição azucrinar o adversário que está no poder. Apontar erros, pedir melhorias e ‘defender’ as demandas da população serão, a partir de janeiro de 2021, pautas de quem estava do outro lado do balcão. Como diz o dito popular: “Fácil ser pedra, difícil é ser vidraça”.

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