Biógrafo norte-americano Benjamin Moser mergulhou na vida da escritora Clarice Lispector

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Escritor norte-americano Benjamin Moser consumiu cinco anos de investigação sobre a história da escritora e família, fugidos da guerra na Ucrânia. Além de ser reconhecida por suas obras, Clarice Lispector se tornou uma das maiores influências do meio cultural brasileiro. (Wikipedia Commons)

Amores, paixões, afetos… quem poderia, com exatidão, definir sentimentos com verbos, adjetivos ou substantivos? “Há muita coisa a dizer que não sei como dizer. Faltam as palavras”, disse a narradora no livro Água Viva (1973), obra consagrada de Clarice Lispector.

Por Luiz Claudio Ferreira (Agência Brasil) – A autora, que nasceu na Ucrânia há 100 anos, e chegou ao Brasil com 12 anos de idade, inspirou o historiador norte-americano Benjamin Moser a encontrar palavras para escrever sobre sua vida, movido por um sentimento imediato, da vastidão do que parecia indefinível. “Clarice é um amor de minha vida”, afirma Benjamin Moser, hoje com 44 anos, que vive em Paris (França), de onde conversou por telefone com a Agência Brasil.

Ele explica que se deparou com a obra de Clarice quando ainda estava na faculdade, nos Estados Unidos, e aventurou-se em uma aula de português. Apaixonou-se pela obra A hora da estrela, que ele traduziria depois para The hour of star. “Não temos Macabéas apenas no Brasil. Elas estão em todos os lugares”. Foram cinco anos de investigação sobre a história da escritora e família, fugidos da guerra na Ucrânia, para publicar, em 2009, a biografia Why this world – a biography of Clarice Lispector (com o título em português Clarice, uma biografia). Link para a entrevista na integra: Use Up/Down Arrow keys to increase or decrease volume.

AMOR PELA PERSONAGEM REAL

Desde a publicação do livro, Moser foi premiado, divulgou a obra em toda a Europa e América do Norte, e constatou que a escritora era pouco conhecida fora do país em que viveu. Até mesmo no Brasil, avaliou que sua obra era mais apreciada por intelectuais. O amor avassalador pela personagem real que descobriu, de olhar e expressões enigmáticas, descortinou um desejo de levar Clarice pelo mundo, a tiracolo, na busca pela justiça do dizer sobre a autora, que morreu em 1977. “O Brasil deve ter muito orgulho de ter uma escritora como ela. Autoras como ela não há no mundo inteiro”.

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